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Eventos culturais: qual é o foco?

redacao@worldwide.com.br
Hoje Domingo, 21 de Janeiro de 2018, bom dia!

Entre celebridades e marketing, o cultural, às vezes, pode parecer ofuscado

Sobre Brasil Publicada: 08/08/2012 as 00:00:00

Curitiba. Evento Crystal Fashion.

Entre celebridades e marketing, o cultural, às vezes, pode parecer ofuscado
Reportagem JULIANA VITULSKIS
Edição AMANDA AUDI.

Eventos culturais têm como enfoque nada menos que a própria cultura - difundir manifestações, estimular a criatividade e expressões populares e artísticas, ou promover debates em torno do assunto. Porém, ultimamente, entre celebridades e marketing, o cultural pode parecer ofuscado. E aí, qual é o foco? O que, além da cultura, pode fazer parte dele?

Quando se fala em eventos culturais, há que se considerar uma grande variedade deles: inaugurações, exposições, estréias de filmes, shows, peças de teatro, entre muitos outros. Muitas vezes, esses eventos extrapolam o foco cultural em seus objetivos e acabam tendo um forte apelo social e comercial.

Para Lylian Vargas, gerente de Marketing do shopping Crystal e responsável por um dos eventos mais badalados de Curitiba, o Crystal Fashion, tudo depende do tal foco. Segundo ela, a semana da moda de Curitiba é um evento de fundo financeiro, com o objetivo de mostrar o produto a ser vendido através da originalidade e da moda. Tudo isso tem que se transformar em dinheiro, atrelado ao lado cultural, social e comercial. É um grande institucional de vendas e, ao mesmo tempo, de criatividade. As marcas que participam do evento devem atender ao apelo: elas devem mostrar uma modelagem diferenciada, mas com condições de venda, diz Lylian.

A estudante de moda Jéssica Ling, que já trabalhou na produção de alguns eventos, entre eles da 17ª edição do Crystal Fashion, vê nesse caso um foco mais social que cultural. A moda é social. Ela tem um lado cultural sim, mas menos evidente no Crystal Fashion. Uma das características mais marcantes, segundo ela, é a de ser voltado para a classe alta, o mesmo público do próprio shopping, que é quem geralmente compra as marcas que estão lá, afirma.

A estudante compara o evento a um outro semelhante, o Paraná Business Collection, que ela acredita ter mais destaque cultural, por divulgar somente trabalhos inéditos e produzidos no estado. Com a primeira edição, ocorrida em setembro do ano passado, o evento tem também objetivos comerciais, mas se propõe a privilegiar a criatividade e a inovação paranaenses. No Crystal Fashion as roupas já foram lançadas, já estão nas lojas e as pessoas já vão vestidas com elas, explica Priscila Kune, também estudante de moda.

Outro aspecto que influência o enfoque é que o Crystal Fashion adquiriu o status de megaevento. Em sua 18ª edição, que acontece no mês de abril, são esperadas cerca de 45 mil pessoas em seis dias de evento, com a participação de doze marcas conhecidas nacionalmente. Segundo Lylian, participam pessoas vindas do Brasil inteiro, e do exterior também. Isso é muito bom pra cidade, porque divulga Curitiba a nível nacional, além de abrir espaço para pessoas com ação de varejo.

Junto ao destaque do evento, vem também o destaque dos convidados. Os famosos já vem com vontade grande de participar. Essas pessoas têm interesse em ter seus nomes difundidos junto ao evento, diz Lylian. Além da participação de celebridades, os eventos ganham destaque também com a presença de fotógrafos conhecidos, críticos e jornalistas especializados. Segundo Jéssica, isso chama mais gente, ajuda a divulgar. Ter gente importante participando é como dar nome ao seu evento.

Paralelo ao Crystal Fashion acontece também o XIII Fórum de Moda do Paraná, que promove um debate entre a criação, a produção e a comercialização da moda, com profissionais da área. Esse tipo de evento pode proporcionar também, além da troca de informações, uma rede de relacionamento entre os participantes. Eis mais uma situação que extrapola o cultural, e que possibilita divulgar melhor um trabalho artístico, uma proposta, formar novas parcerias e um métier dentro de uma área específica. Para a artista plástica Karina Marques Canha, esse aspecto é muito positivo. É sempre bom encontrar gente que possa mostrar seu trabalho de uma forma ou de outra, e estabelecer novos contatos. Esse também é um papel de um evento cultural, afirma.

No editorial do Guia de Programação do Festival de Curitiba, que acontece de 20 a 30 de março na capital, fica clara a importância dada à interação social em um dos trechos: Nesse ambiente festivo, nessa efervescência social intensa que marca o mês de março, o Festival de Curitiba celebra o convívio e as artes em todas as suas formas e manifestações. Pode-se dizer que fica evidenciado também o aspecto cultural-comercial com o show da Orquestra Imperial, fechado para convidados especiais, que aconteceu um dia antes do show de abertura oficial do evento, com o mesmo grupo musical. A interação social encontra também possibilidade de acontecer de várias outras formas em espaços culturais alternativos e em outros eventos especiais que fazem parte do festival.

Nesse sentido, Karina acredita que tudo caminha junto mesmo: uma coisa não inclui nem exclui a outra. Você pode ir num evento que tem o lado social e comercial, junto com o cultural também. Em uma exposição isso normalmente acontece. No caso das artes visuais, como em outras formas de expressão cultural e artística, a abrangência de publico pode ser diferenciada, e a lucratividade pode não fazer parte do foco. Eu procuro ver um evento como um artista, como uma forma de divulgar a arte sem a visão do lucro, e o lado dos contatos fica mais em um plano de lobby, diz a artista. Segundo ela, há muita diferença entre essa visão e a do marketing cultural, que trata a cultura como um produto que precisa ser atrativo para ser vendido.

Porém, a viabilidade de um evento cultural pode depender desses aspectos sim, já que precisa de recursos para acontecer dentro de um sistema capitalista, e com a influência dos meios de comunicação de massa. "Acho que isso faz parte do sistema, esse comportamento consiste na relação do próprio sistema com a arte. É uma polaridade estreita, diz Karina. Daí a importância dos contatos e da interação social, para possibilitar o alcance do maior e mais variado público possível. A gente tem que pensar no público alvo, no público em geral, e o evento tem que dialogar com todos... Enfim, tem que se pensar na maior gama possível de pessoas, explica a artista. Um público que pode ser tão vasto quanto o conceito de cultura ou quanto a abrangência de um evento cultural.


Publicada: 08/08/2012 as 00:00:00

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